segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O talento e a pressa.

Quando nascemos, somos muito dependentes de nossos pais e por muito tempo. Mais do que qualquer outro de nossos primos primatas. Coisas da evolução. Se nosso nascimento acontecesse quando nossos cérebros estivessem mais desenvolvidos, as cabeças não passariam pelo canal vaginal.
Nascemos com a mente em branco. Algumas coisas já fazemos por instinto. Chorar e mamar... Mas não muito mais. Ao longo da vida, e isso gera muita discussão, vamos descobrindo (ou desenvolvendo) nossos talentos e aptidões. Nascemos com talentos que nos conduzem às escolhas de nossas profissões? Ou adquirimos nossos talentos por causa de uma série de fatores externos combinados a algumas características inatas, sejam genéticas ou desenvolvidas no útero?
Particularmente, acredito na segunda hipótese.
O que, na verdade, não faz a menor diferença para o que tenho a dizer...
Seja nascendo com o talento ou adquirindo seja lá como for, é fato que qualquer coisa que você vá fazer depende de algo básico: aprendizado!
Você pode ser um pintor talentosíssimo, um médico, um engenheiro... mas se não aprender a desenvolver e exercer esse talento, não adianta nada.
Escrever exige talento. Infelizmente — e estou generalizando, claro — muitos escritores acreditam que tudo o que eles precisavam saber já foi aprendido na escola fundamental.
É um erro.
Escrever é uma arte e toda arte precisa ser aprendida, desenvolvida, treinada. Algumas técnicas precisam ser descobertas e o artista tem que buscar seu estilo.
Você pode nascer com o talento latente da escrita, mas não acredite que ele será suficiente para sequer escrever um conto. Um longo caminho se coloca entre o desejo de ser escritor(a) e a efetivação dessa meta.

Outro aspecto interessante é a preocupação que presencio, seja como editor ou como escritor, de colegas por questões que nada têm a ver com sua função. O escritor tem que se preocupar, primeiramente, em escrever. E, acreditem, é um trabalho complexo e muito, muito grande. Exige muito. O tempo que um escritor que mal começou a escrever o primeiro capítulo perde ao se preocupar com a capa do livro ou a noite de autógrafos não tem volta e atrapalha muito. Já tive contato com autores assim. Mal desenvolveram as histórias, já estão preocupados com plano de marketing. Não que isso seja proibido, muito pelo contrário, mas cada coisa a seu tempo. Depois de garantir que você tem uma obra com qualidade, ai sim pode pensar em como divulgá-la e vendê-la. Antes disso, é só sonho desperdiçado.

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