terça-feira, 11 de julho de 2017

RELATÓRIO FANTÁSTICO 1 #partiufantasticas!!!


Pra quem não sabe o que é o Projeto Fantásticas, tem o link aqui. Pra quem já conhece, segue o relatório do nosso primeiro workshop. A nossa nave fantástica está completa, com lotação esgotada, viva!!!

Relatório Fantástico no. 1 - 09/07/2017 - Espaço Asas, São Paulo.
O primeiro workshop do Projeto ESCREVIVENDO FANTÁSTICAS começou no domingo, e só vou dizer uma coisa: acho que foi um dos melhores encontros criativos que já rolou no Escrevivendo! 

EPISÓDIO 1:
Uma das escritoras trouxe pro curso uma dose extra de emoção, ao catar um gatinho preto abandonado no meio do caminho até o Espaço Asas. Não, o gatinho não veio com ela e nem deu seus palpites no workshop... mas mandou para o encontro uma escrevivente à beira de um ataque de nervos. O negócio era sério! Pra quem conhece a nossa protagonista, não deve ser difícil imaginar o que aconteceu: muito choro, drama e suspense. Mas não se preocupem, o fofelino foi devidamente levado a um novo lar no final do dia.  Fim do EPISÓDIO 1, que de trágico evoluiu pra um happy end!

EPISÓDIO 2:
O segundo episódio causou estranheza a todos: um dos primeiros escreviventes a se inscrever para o projeto não apareceu. Com um grupo de escritores malucos reunidos, vocês já podem imaginar quantas histórias mirabolantes surgiram pra explicar a ausência do nosso querido faltoso. Teria sido abduzido por ETs no caminho para o Espaço Asas? Teria saído para navegar no seu iate particular e fora atacado por piratas no Mar da China? Ou teria sido sequestrado por um exército de trolls e levado através de um portal mágico? Para quem está preocupado com o destino do nosso escrevivente, uma notícia boa: ele já entrou em contato, avisou que estava ainda em viagem, e confirmou que vai participar do Grupo 2. No domingo que vem estará com a gente! 😸 Como? Preferiam as opções anteriores? Não sejam mauzinhos...

EPISÓDIO 3:
No terceiro episódio rolou a apresentação das ideias para os contos da coletânea - e tivemos de tudo! Ótimos começos - mas sem os finais! 😶 Ótimos inícios e finais - sem os meios! 😯 Gente que trouxe várias opções de ideias completas, com começo, meio e fim - uma verdadeira ostentação criativa! 😘 Gente que não queria mostrar as opções, embora as tenha trazido - porque queria que queria mostrar só a sua favorita! 😲 Um caos! Mas um caos criativo, da boa, produtiva e estimulante.
O melhor de tudo foram as ideias que foram surgindo, graças às contribuições de todos. Só pra vocês terem uma ideia: já temos para o projeto alguns baús mágicos, lojinhas de magia, ciborgues sexuais, canetas Bic invasoras, um pó de canela suspeito e por aí vai... 😝
O final do episódio trouxe aquilo que todos nós buscamos: um grupo unido, coeso e cheio de energia. E gerando ideias diferentes, malucas, dramáticas, fofas, assustadoras - mas com um diferencial: o bom astral criativo do Escrevivendo. No final, todo mundo saiu com uma direção mais clara para o seu conto - e só não foi um happy end porque ainda estamos no começo da nossa jornada. Um ótimo começo!
Então é isso, queridos fantásticos! Walter e eu estamos ansiosos pra que o próximo domingo chegue logo, trazendo um encontro ainda mais explosivo e energético! Os escreviventes fantásticos do Grupo 2 já estão esquentando os motores pra entrar com tudo nessa aventura.

E vocês? Gostariam de ter participado? Não fiquem tristes! Fiquem atentos, quem sabe rola mais um Projeto Fantásticas no futuro? E lembrem-se: vem aí FANTÁSTICAS - O LIVRO, com todos esses contos, pra quem gosta de boas histórias, cheias de emoção/sentimentos/aventuras/suspense/e tudo mais!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sua ferramenta de trabalho

Aos treze anos, minha mãe insistiu que eu fizesse um curso de datilografia.
Além de entregar minha idade (como se algum dia eu escondesse...), esse fato é responsável por eu até hoje utilizar todos os dedos na hora de digitar.
A maioria de vocês, provavelmente, nunca usou uma máquina de escrever. Mas acredite, era ferramenta essencial para quem trabalhava com texto.
Hoje, você pode usar uma máquina de escrever — se for muito saudosista —, uma caneta, até um lápis. Mas se pretende fazer da escrita uma profissão, ou mesmo um hobby sério, aconselho a produzir seus textos no computador e, preferencialmente, no Word.
Como editor, já recebi vários arquivos cheios de problemas. Pequenos detalhes que, por não serem observados e respeitados, deram muito mais trabalho para editar e diagramar. Uma perda evitável de tempo. E tempo, vocês sabem....
Então, vamos a algumas regras básicas na utilização do Word para escrever seus textos e ter uma comunicação limpa com quem dará sequência à publicação:

1- Para começar, pense na regra básica de quem escrevia suas laudas na máquina de escrever: digitação direta, sem se preocupar com quebra de palavras. O programa fará isso por você. Escreva sem parar e só pressione ENTER quando tiver que começar um novo parágrafo. E sabe aquele espaço entre parágrafos. Não force, a não ser que faça parte da história — como para sinalizar uma passagem maior de tempo ou quebra dentro do capítulo.

2- Nada de apertar o TAB ou dar espaços para provocar aqueles recuos de início de parágrafo. Isso será feito automaticamente na diagramação. O próprio word tem recurso automático para isso. Fica no menu PARÁGRAFO.

3- Como dizia Tim Maia: "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa": Travessão é travessão, hífen é hífen. Jamais use dois hífens para formar um travessão. O atalho no teclado para travessão é alt+0150 (–) ou alt+0151(—).

4- Trocou de capítulo, coloque um "inserir quebra de página". Isso ajuda muito o diagramador.


5- Poetas, de um verso para o outro: ENTER. Jamais, em hipótese alguma, use espaços para chegar ao final e pular para a próxima linha. Se a sua poesia necessita de uma diagramação especial (como a primeira letra do verso ter que encaixar numa posição específica em relação ao verso anterior ou posterior) faça indicação para o diagramador usando os comentários de revisão do Word.

6- O menu de revisão é um dos mais importantes do Word. Será em marcas de revisão que você receberá alterações, sugestões, dúvidas. Aprenda a usar. Treine.
Para inserir um comentário:






Olha como fica um texto com marcas de revisão acionadas:



Existem outros recursos avançados, como a escolha de Estilos, por exemplo, que facilita enormemente o trabalho do diagramador. Mas deixemos isso para vocês pesquisarem. Minha intenção era me ater ao básico da sua ferramenta.
E para melhorar o resultado do que você vai produzir com essa ferramenta, não se esqueça: Escrevivendo!


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O talento e a pressa.

Quando nascemos, somos muito dependentes de nossos pais e por muito tempo. Mais do que qualquer outro de nossos primos primatas. Coisas da evolução. Se nosso nascimento acontecesse quando nossos cérebros estivessem mais desenvolvidos, as cabeças não passariam pelo canal vaginal.
Nascemos com a mente em branco. Algumas coisas já fazemos por instinto. Chorar e mamar... Mas não muito mais. Ao longo da vida, e isso gera muita discussão, vamos descobrindo (ou desenvolvendo) nossos talentos e aptidões. Nascemos com talentos que nos conduzem às escolhas de nossas profissões? Ou adquirimos nossos talentos por causa de uma série de fatores externos combinados a algumas características inatas, sejam genéticas ou desenvolvidas no útero?
Particularmente, acredito na segunda hipótese.
O que, na verdade, não faz a menor diferença para o que tenho a dizer...
Seja nascendo com o talento ou adquirindo seja lá como for, é fato que qualquer coisa que você vá fazer depende de algo básico: aprendizado!
Você pode ser um pintor talentosíssimo, um médico, um engenheiro... mas se não aprender a desenvolver e exercer esse talento, não adianta nada.
Escrever exige talento. Infelizmente — e estou generalizando, claro — muitos escritores acreditam que tudo o que eles precisavam saber já foi aprendido na escola fundamental.
É um erro.
Escrever é uma arte e toda arte precisa ser aprendida, desenvolvida, treinada. Algumas técnicas precisam ser descobertas e o artista tem que buscar seu estilo.
Você pode nascer com o talento latente da escrita, mas não acredite que ele será suficiente para sequer escrever um conto. Um longo caminho se coloca entre o desejo de ser escritor(a) e a efetivação dessa meta.

Outro aspecto interessante é a preocupação que presencio, seja como editor ou como escritor, de colegas por questões que nada têm a ver com sua função. O escritor tem que se preocupar, primeiramente, em escrever. E, acreditem, é um trabalho complexo e muito, muito grande. Exige muito. O tempo que um escritor que mal começou a escrever o primeiro capítulo perde ao se preocupar com a capa do livro ou a noite de autógrafos não tem volta e atrapalha muito. Já tive contato com autores assim. Mal desenvolveram as histórias, já estão preocupados com plano de marketing. Não que isso seja proibido, muito pelo contrário, mas cada coisa a seu tempo. Depois de garantir que você tem uma obra com qualidade, ai sim pode pensar em como divulgá-la e vendê-la. Antes disso, é só sonho desperdiçado.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Primeiras novidades de 2017!

Olá, escreviventes e simpatizantes! Neste primeiro post de 2017, queremos desejar um 2017 cheio de alegrias, de sucesso e de realizações - e que isso não seja uma simples ficção, mas uma bela realidade!

Pra começar, algumas novidades bacanas:

Saiu no dia 30/12/2016 a matéria de Anny Lucard sobre Criação Literária, com a entrevista de GIULIA Moon no O Estado RJ. Confira aqui.



GIULIA vai participar também do primeiro encontro da Academia Fantástica, dia 28/01/2017, na Livraria Nobel Mais Shopping Largo 13. WALTER vai também, pra prestigiar a parceira e bater um papinho com quem quiser saber mais sobre ele, seus livros e sobre ESCREVIVENDO. Autores participantes: Cesar Bravo, Giulia Moon, Marcelo Del Debbio e Luciana Fátima. Vai ter bate papo, entrevista, sorteios, leituras de contos e muitos prêmios. O evento é uma criação de Vincent Sahjaza, editor da Academia Fantástica e Lord A:.. As apresentações e performances do evento serão organizadas pela Srta Xendra Sahjaza. Apoio: Covil da Abdução e Luke Produções. Apareçam!


E no dia 15/01 começa o primeiro ESCREVIVENDO de 2017! É o Módulo "Menos é Mais", cujos detalhes vocês podem conhecer clicando aqui, ou na abinha da parte superior deste blog. Aproveite a calmaria de janeiro pra aprender e reciclar seus conhecimentos de escrita com a gente!


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Boas Festas!

Walter e Giulia não acreditam em Papai Noel, mas não é por isso que não tiram uns dias de folga durante as festas de fim de ano. Mas são só uns dias! Em janeiro, o Escrevivendo estará de volta com tudo. Visite o site e veja as datas. Programe-se e venha escreviver!
Ilustra do Walter... que ele teve que fotografar, porque o scanner está inoperante...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Sessão de autógrafos

Saudações, escreviventes e leitores. No próximo sábado, dia 22 de outubro, a partir das 15 H, eu estarei realizando uma sessão de autógrafos e o lançamento de meu terceiro livro, "Como Tatuagem", e gostaria de convidar a todos. Venha, traga seus livros para autografar ou apareça apenas para batermos um papo.
O link para o evento no Facebook é este aqui.
Será na livraria Martins Fontes Paulista. Fica na Avenida Paulista, em frente à estação Brigadeiro do Metrô. Facinho de chegar. Para quem for de carro, tem convênio com estacionamentos. Entre no link do evento para ter os detalhes.
Aguardo vocês.
Além disso, na quinta, dia 20, eu, a Giulia Moon e o Marcos DeBrito faremos um bate-papo sobre personagens  na Anhembi Morumbi, campus Mooca, às 9:30h. É aberto ao público. Se estiver interessado, venha. O link com todas as informações do evento é este aqui.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Conto - Obstinado



Por Paulo Vitor Mendonça
 

Peguei meus chinelos nas mãos e senti a areia fofa da praia abraçando meus pés. Caminhei até a água, dando pulinhos ridículos por causa do calor que vinha da areia. Pisei na água e senti alívio. Perguntei-me se a morte era assim, um desespero ridículo antes de um alívio eterno.
Já tinha me despedido de todo mundo que importava, mesmo que eles não soubessem. Tossi. Minha tuberculose tinha piorado nos últimos meses. Não tinha mais volta, a doença me mataria em pouco tempo. Então, por que eu mesmo não deveria decidir quando?
Sempre fui assim: levo o que coloco na cabeça até o fim. Quando criança, decidi que usaria para sempre a mesma cueca, e sempre dava um jeito de achá-la no cesto de roupa suja, ou tirava, molhada mesmo, da máquina de lavar para vesti-la. Até do lixo a salvei, até que um dia minha mãe botou fogo na pecinha, enquanto me chamava de “demônio obstinado”. Desde então eu sei o que sou. Um obstinado.
E agora era hora! Joguei meus chinelos e comecei a correr em direção ao fundo do mar. Sorri, confiante, dizendo adeus ao mundo. Tropecei. Levantei-me, já amaldiçoando o que quer que tivesse estragado meu grande momento. Tateei o chão e tirei da água um crânio que sorria com todos os dentes pra mim, como se tivesse me derrubado de propósito.
Tossi. Sangue voou sobre a caveira, que começou a se esquentar e borbulhar até que não pude mais segurá-la.  Ela caiu na água, produzindo um chiado. Desse lugar, emergiu uma mulher. Usava um vestido colorido cheio de véus e o cabelo estava arrumado demais para alguém que era uma caveira havia apenas alguns segundos. Tinha o mesmo sorriso cheio de dentes.
– Oi, sou Jena, uma gênia, gostaria de agradecer por me tirar do sono eterno com o seu sacrifício.
– Por nada. – Continuei a minha caminhada para a morte. Mas a Jena-gênia me seguiu.
– Espera, você não vai ficar espantado? Me perguntar se posso te conceder um desejo?
– Na verdade, não. Eu estava no meio de um processo, sabe, e ter que lidar com o sobrenatural vai me distrair muito.
A gênia ficou me olhando, perplexa, e parecia estar tentando me desvendar. Saco. Estava com pressa e ela lá, com cara de ampulheta rodando.  Depois de longos segundos, ela sorriu e prosseguiu.
– Ah, agora entendi. Eu posso curar sua tuberculose, você não precisa morrer tão jovem.
Ela fez uma pausa para ver a minha reação. Ok, ela descobriu sobre a doença. Gênia, poderes e tudo mais. E daí? Apenas respirei fundo.
– Veja bem, eu já tinha esse plano aqui de me matar. É a minha grande escapada da vida. Não sou de voltar atrás. E, pensando bem, mesmo que não estivesse doente, morrer é o melhor caminho, é a liberdade. Sabe o que tem lá na vida? Contas, contas e mais contas pra pagar. E pra isso você precisa de dinheiro. E pra isso precisa trabalhar. Gente te mandando o que fazer o tempo todo. Não, obrigado. Já estou em outra. Agora, dá licença?
Continuei a minha rota para o pós-vida, mas ouvi a garota choramingando.
– Eu preciso que você faça um pedido! Por favor, senão ficarei presa a você, mesmo morto, aqui no mar! Por favor!
Saquei que ela ia ficar nesse chororô até a eternidade. A voz fininha reclamando no meu ouvido.
– Um pedido só? – Bufei e vi que a garota assentia com a cabeça. – Tá, tá! Me arruma um cigarro.
– Um maço?
– Não, um solto, porque estou com pressa. E faz ele aceso e à prova d’água.
A garota balançou as mãos e um cigarro azulado surgiu em minha boca. Traguei fundo e soltei a fumaça. Tossi. Uma bomba.
– Ótimo, genial, você podia ficar rica vendendo esses cigarros à prova d’água numa praia. – Vi que ela sorriu para mim. – Bom, vou indo, passar bem.
Caminhei para a minha morte, finalmente, enquanto a garota saltitava, toda contente, em direção à praia. Logo os meus pulmãos começaram a se encher de água e eu me debatia, a caminho do fundo do mar. Antes de perder a consciência, vi a gênia tropeçar nos meus chinelos na beira da praia. Sorri. Bem feito.

Ilustração de Walter Tierno
Conto escrito no Escrevivendo 1 - Menos é mais.